“É só matar os outros 120”, diz Nikolas após megaoperação no RJ

Nikolas Ferreira causa polêmica ao comentar operação policial no Rio

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou ao centro das atenções nas redes sociais nesta quarta-feira (29/10), após um comentário sobre a megaoperação policial no Rio de Janeiro, que deixou mais de cento e vinte mortos. A ação, realizada na terça-feira (28/10), é considerada a mais letal da história do estado, segundo dados da Defensoria Pública e do governo fluminense.

A origem da controvérsia

A polêmica começou quando um usuário da plataforma X (antigo Twitter) escreveu que “não adianta matar 60 traficantes se, no dia seguinte, já tiver outros 120”. O internauta defendia que o combate ao tráfico de drogas deveria ir além de ações armadas, abordando também questões sociais, educacionais e estruturais.

Em resposta, Nikolas Ferreira publicou: “É só matar os outros 120.” O comentário viralizou em poucos minutos, gerando uma enxurrada de reações — tanto de apoiadores, que defenderam a “linha dura” do deputado, quanto de críticos, que classificaram a fala como incitação à violência.

A operação mais letal do Rio

O episódio ocorreu durante a repercussão nacional da Operação Contenção, uma das maiores ações de segurança pública já realizadas no Rio de Janeiro. A operação mobilizou 2.500 agentes das forças estaduais, com apoio de blindados, helicópteros e drones.

De acordo com o governo do estado, o objetivo era desarticular o Comando Vermelho (CV), principal facção criminosa do tráfico no Rio, e apreender armas e drogas. O balanço oficial aponta 119 mortos e 113 presos, entre eles lideranças criminosas de outros estados.

Entre as vítimas estão quatro policiais — dois civis e dois militares do Bope. A Defensoria Pública, entretanto, contesta os números e afirma que o total de mortos pode chegar a 132, levando em conta corpos recolhidos por moradores e levados à Praça São Lucas, no Complexo da Penha, durante a madrugada de quarta-feira.

Reações e defesa do deputado

Após as críticas, Nikolas Ferreira — um dos deputados mais votados do país em 2022, conhecido por seu discurso conservador e defesa da segurança pública rígida — voltou às redes para justificar sua fala.

Segundo ele, o comentário foi uma forma de defender os policiais e criticar a impunidade. “O que está matando o Brasil é a inversão de valores. Policial é tratado como bandido, e bandido como vítima. Eu apoio quem está na linha de frente defendendo o cidadão de bem”, afirmou o parlamentar.

A fala reforça o posicionamento de Nikolas, que costuma criticar políticas de direitos humanos e defender uma atuação mais enérgica do Estado contra o crime organizado. Seus apoiadores alegam que o deputado apenas expressou indignação com a criminalidade e com a falta de punição eficaz no país.

Críticas e repúdio de opositores

Parlamentares de oposição e entidades de direitos humanos reagiram com indignação. A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) classificou a fala como “desrespeitosa com as vítimas”, afirmando que o discurso de Nikolas “naturaliza o extermínio e ignora a tragédia humanitária” vivida nas comunidades cariocas.

Organizações como a Anistia Internacional Brasil também repudiaram o tom do comentário, lembrando que o uso excessivo da força em operações policiais viola direitos fundamentais e agrava o ciclo da violência. Para essas entidades, a declaração do deputado reforça uma cultura de banalização da morte nas periferias e favelas.

Reação do governo federal

Enquanto o debate continua nas redes sociais e no Congresso, o governo federal acompanha com atenção os desdobramentos da Operação Contenção. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, classificou a ação como “extremamente violenta” e revelou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou “estarrecido” com o alto número de mortes.

Lewandowski afirmou que o governo está avaliando medidas para monitorar operações policiais e evitar novas tragédias. A preocupação federal reacende o debate sobre o papel das forças de segurança, o uso proporcional da força e a eficácia das políticas de confronto direto no combate ao crime organizado.

Um debate que reflete a polarização nacional

O episódio envolvendo Nikolas Ferreira expõe mais uma vez a polarização política e social do país. De um lado, há quem defenda ações rigorosas contra o tráfico; de outro, aqueles que cobram políticas públicas estruturais e respeito aos direitos humanos.

Entre críticas e apoios, a fala do deputado e o saldo da operação no Rio reacendem uma discussão antiga: até que ponto o enfrentamento armado pode trazer segurança sem sacrificar vidas inocentes?

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