Lula sai em defesa de Janja e reafirma liberdade de atuação da primeira-dama
Durante uma coletiva de imprensa neste sábado (29), em Hanói, no Vietnã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu em defesa de sua esposa, Rosângela da Silva, a Janja, após críticas da oposição sobre sua presença em agendas e eventos internacionais. As contestações aumentaram especialmente após sua participação em Paris, na Cúpula de Nutrição para o Crescimento (N4G), onde discursou representando o Brasil, mesmo sem ocupar cargo oficial no governo.
Em resposta, Lula reafirmou o direito da primeira-dama de atuar livremente e destacou que ela “não nasceu para ser dona de casa”. O presidente classificou as críticas como uma manifestação de machismo político e de uma visão ultrapassada sobre o papel das mulheres na vida pública.
“Ela vai continuar sendo livre”, afirma o presidente
Ao ser questionado sobre o envolvimento de Janja em pautas diplomáticas e sociais, Lula foi enfático:
“A mulher do presidente Lula não nasceu para ser dona de casa. Ela vai continuar sendo livre para ir onde quiser, falar o que quiser e representar o país quando achar necessário.”
Segundo o presidente, Janja exerce um papel importante de articulação social e diplomática, especialmente em áreas relacionadas à fome, pobreza e igualdade de gênero. Para ele, a primeira-dama tem legitimidade para representar o país em fóruns internacionais sobre temas humanitários.
Lula também minimizou os ataques da oposição, afirmando que as críticas não passam de tentativa de desviar o foco do trabalho do governo.
“Eles falam porque não têm o que mostrar. Nós estamos trabalhando”, declarou o presidente.
Janja e a agenda internacional da primeira-dama
Desde o início do atual mandato, Janja vem ampliando sua presença em eventos internacionais. Em Paris, ela foi recebida pelo presidente Emmanuel Macron e liderou a delegação brasileira na Cúpula de Nutrição para o Crescimento, evento que reuniu líderes mundiais em torno de políticas de combate à desnutrição.
Lula explicou que a viagem de Janja ocorreu a convite oficial do governo francês, e não por iniciativa pessoal.
“Ela não foi escondida para Paris. Foi um convite de um presidente da República, algo que poderia ter sido feito a mim ou a qualquer outro representante do Brasil”, disse Lula.
Além da capital francesa, a primeira-dama também participou de eventos em Roma, representando o Brasil no Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrário (FIDA), e marcou presença na abertura das Olimpíadas de Paris 2024, reforçando a imagem do país em temas sociais e de inclusão.
Polêmicas sobre custos e funções
Apesar do respaldo de Lula, a presença de Janja em missões oficiais tem sido alvo de críticas da oposição e de parte da imprensa. O jornal O Estado de S. Paulo publicou reportagens apontando que, mesmo sem ocupar cargo formal, a primeira-dama conta com uma equipe de assessores para auxiliá-la em suas atividades.
Entre os principais questionamentos estão os custos das viagens internacionais. Durante as Olimpíadas de Paris, o governo teria gasto R$ 203,6 mil com hospedagem e logística. Já na visita a Roma, os bilhetes de ida e volta em classe executiva custaram R$ 34,1 mil, segundo dados oficiais.
O Palácio do Planalto justifica as despesas afirmando que a presença de Janja em eventos internacionais fortalece a imagem do Brasil em temas humanitários, promove parcerias com organizações multilaterais e contribui para a agenda global do governo em defesa da sustentabilidade e da justiça social.
AGU prepara parecer sobre o papel institucional da primeira-dama
Com o crescimento da visibilidade de Janja e o debate sobre os limites de sua atuação, a Advocacia-Geral da União (AGU) elabora um parecer jurídico para definir de forma mais clara quais são as atribuições e prerrogativas da primeira-dama em eventos oficiais.
O objetivo é estabelecer parâmetros legais para evitar novas controvérsias sobre o envolvimento de pessoas não eleitas em missões representativas do governo. O documento servirá de referência tanto para o atual quanto para futuros governos, delimitando o espaço institucional da figura da primeira-dama.
Lula discute comércio com o Vietnã e tarifas com os EUA
Na mesma coletiva, além de defender Janja, Lula tratou de temas econômicos. O presidente destacou o potencial de crescimento das relações comerciais entre Brasil e Vietnã, que hoje somam cerca de US$ 7,7 bilhões anuais. Segundo ele, o objetivo é triplicar esse volume, alcançando US$ 20 bilhões em poucos anos.
Lula também comentou sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e afirmou que buscará soluções diplomáticas, mas não descarta recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) caso não haja avanço.
“Queremos diálogo, mas, se for necessário, usaremos os instrumentos internacionais de defesa comercial”, declarou.
Críticas a Bolsonaro e o debate sobre anistia
Lula aproveitou o encontro com jornalistas para criticar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que vem defendendo anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O atual mandatário classificou a proposta como uma “bobagem” e acusou Bolsonaro de tentar se isentar de responsabilidade.
“Ele sabe o que aconteceu e agora quer se proteger. Mas a Justiça vai agir dentro da lei, sem perseguição e sem anistia política”, afirmou.
O novo papel de Janja na política brasileira
A atuação de Janja segue gerando debates no cenário político. Enquanto aliados destacam seu engajamento em causas sociais e sua representatividade feminina, críticos apontam a falta de clareza institucional sobre suas funções.
Com o apoio público de Lula e o parecer da AGU em andamento, o papel da primeira-dama tende a ganhar contornos mais definidos. Assim, Janja se consolida como uma das figuras mais influentes da atual gestão, simbolizando um novo modelo de protagonismo político e social para as mulheres na esfera pública brasileira.
